Provado: mortes por doenças cardiovasculares no Brasil sobem na pandemia

Pesquisa revela que número de óbitos por infarto e AVC cresceu nas seis capitais avaliadas. Entenda o porquê desse fenômeno durante a crise do Covid-19

 

As mortes por doenças cardiovasculares aumentaram durante a pandemia. Ilustração: Henrique Campeã/SAÚDE é Vital

 

Um estudo brasileiro mostra que as mortes por doenças cardiovasculares aumentaram significativamente durante a pandemia de Covid-19 nas seis capitais avaliadas. São elas: Manaus (AM), Belém (PA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE) e Recife (PE) — escolhidas por terem sido especialmente afetadas pelo coronavírus nos primeiros meses da crise atual.

A pesquisa foi realizada pelas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Minas Gerais (UFMG), pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Hospital Alberto Urquiza Wanderley, na Paraíba. Os dados foram extraídos dos cartórios de registro civil, por meio da Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen). Os cientistas basicamente compararam a quantidade de mortes por infarto, AVC e problemas cardiovasculares não especificados de 17 de março a 22 de maio deste ano com o mesmo período de 2019.

Manaus é a cidade que mais viu os óbitos por essas causas crescerem: 132% a mais do que no ano passado. Em seguida, vêm Belém (126%), Fortaleza (87,7%), Recife (71,7%), Rio de Janeiro (38,7%) e, por último, São Paulo (31,1%).

De acordo com o cardiologista Marcelo Queiroga, presidente da SBC, quando a pandemia começou, verificou-se uma redução nos atendimentos hospitalares de AVC e ataques cardíacos. “Mas nós queríamos saber se a quantidade desses problemas havia diminuído ou se as pessoas estavam morrendo dentro de casa”, explica o cardiologista.

Os dados do trabalho são interessantes nesse sentido. Em todas as capitais investigadas, o número de mortes por doenças cardiovasculares não especificadas aumentou consideravelmente. Segundo o texto do artigo, isso provavelmente tem a ver com a falta de um diagnóstico preciso, uma situação comum quando o óbito acontece fora do ambiente hospitalar.

“As pessoas pararam de procurar atendimento médico por medo de contrair o coronavírus no hospital ou no trajeto. Os pacientes não deixaram de morrer, só passaram a sofrer com os problemas cardiovasculares em casa”, raciocina Queiroga.

Belém e Manaus foram as únicas cidades nas quais até os registros que cravam qual problema cardiovascular matou o paciente também aumentou. Segundo os autores, o colapso no sistema de saúde desses locais foi tão grave que gerou uma subida nesse índice mesmo com muitas pessoas ficando dentro do lar.

“Foi o que mais chamou nossa atenção. Esse dado é um alerta importante para o fortalecimento do SUS”, aponta Queiroga.

Além da falta de socorro médico, o profissional acredita que a Covid-19 pode estar diretamente por trás de alguns infartos ou AVCs fatais. “O Sars-CoV-2 desencadeia problemas cardíacos, como miocardite, arritmia e síndrome coronariana aguda”, justifica.

Apesar dos números expressivos, o estudo tem limitações. Elas estão relacionadas principalmente à base de dados da Arpen. “As declarações de óbito, em geral, são mal preenchidas”, pondera Queiroga. Os cartórios das capitais foram escolhidos justamente para amenizar essas possíveis inconsistências.

Uma alternativa seria recorrer ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. De acordo com Queiroga, ele é mais confiável — só que demora mais para liberar informações.

Ainda assim, o presidente da SBC afirma que os resultados são uma boa referência e que essa parece ser uma tendência mundial, já que um cenário parecido foi observado em outros países.

No norte da Itália (um dos locais mais afetados pela pandemia), as internações por síndrome coronariana aguda caíram, ao mesmo tempo em que os casos de parada cardíaca fora dos hospitais aumentaram.

“Nossa pesquisa traz um dado a mais para ajudar gestores e autoridades sanitárias do Brasil no enfrentamento da Covid-19”, finaliza o cardiologista.

Fonte: Veja / Saúde

Pfizer relata 90% de eficácia da vacina de Covid-19, em anúncio inédito

É a primeira vez que empresas farmacêuticas apresentam dados de sucesso de uma vacina com base em estudo amplo

 

Foto: GettyImages / Davizro/Reprodução

 

A vacina experimental contra Covid-19 desenvolvida pela americana Pfizer se mostrou com 90% de eficácia, segundo dados preliminares divulgados hoje pela empresa em conjunto com a empresa BioNTech, da Alemanha.

É a primeira vez que empresas farmacêuticas apresentam dados de sucesso de uma vacina contra o novo coronavírus a partir de ensaio clínico em larga escala, já na fase 3, em que se mede a segurança e a e a eficácia de uma vacina.

A imunização contra o vírus foi atingida sete dias depois da aplicação de duas doses da vacina, ministradas com intervalo de 28 dias, entre uma e outra. Não se sabe ainda, porém, por quanto tempo, a vacina proporciona a proteção.

De acordo com, a empresa são 43.538 participantes nos testes da vacina, nos Estados Unidos, Brasil e mais 4 países. Desses, 38.955 já haviam recebido uma segunda dose da vacina até o dia 8 de novembro. Se a eficácia é de 90%, isso significa que entre as pessoas vacinadas, 9 a cada 10 não ficaram doentes.

A Pfizer analisou os dados depois de 94 participantes terem Covid-19, mas não informou quantas dessas 94 pessoas tinham tomado a vacina experimental e quais tomaram placebo, ou seja, uma substância inativa.

Os dados ainda não foram revisados por cientistas, nem divulgados em publicação médica. A Pfizer diz que isso será feito assim que forem apresentados todos os resultados do estudo.

Se a vacina for autorizada, a expectativa das duas empresas é fornecer 50 milhões de doses em todo mundo ainda neste ano e até 1,3 bilhão no ano que vem. As empresas esperam obter a autorização para aplicação emergencial da vacina nos Estados Unidos, ainda neste em novembro.

Nos últimos dias, outra notícia animadora foi a da descoberta de um spray nasal que bloqueia o contágio pelo novo coronavírus.

Fonte: Claudia

Novembro Azul: o câncer de próstata não é o único a afetar os homens

Apesar da importância de falar sobre esse tipo da doença, a população masculina também é acometida por outros tumores e deve ser conscientizada sobre o tema

Não é só o câncer de próstata que acomete os homens. Ilustração: André Moscatelli/SAÚDE é Vital

O câncer representa o maior medo dos homens em relação à saúde, de acordo com o levantamento “Um Novo Olhar para a Saúde do Homem”, conduzido este ano com mais de 2 mil brasileiros de todas as regiões do país pela revista SAÚDE.

O câncer de próstata tem sido o foco do Novembro Azul. De fato, ele é o tumor mais comum do sexo masculino — segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), um em cada seis brasileiros terão a doença ao longo da vida.

Mas é fundamental alertar os homens sobre outros tipos que devem estar no radar e que também merecem fazer parte dos check-ups. O câncer de pulmão, por exemplo, acomete 18 740 homens brasileiros todo ano; o colorretal, 17 380; e o de estômago, 13 540.

Hábitos relativamente simples, como prática regular de atividade física, redução do consumo de bebida alcoólica, cessação do tabagismo, alimentação equilibrada e baseada em frutas e verduras (distanciando-se do consumo de itens gordurosos, enlatados e ultraprocessados), bem como evitar a exposição solar excessiva (sobretudo sem a devida proteção), podem contribuir com a prevenção dessas enfermidades.

É claro que um câncer também pode ser originado por outras questões, como genética desfavorável. Ou até por causas desconhecidas. Todos temos algum risco de contrair qualquer doença. Mas a influência do estilo de vida é inegável.

Uma nova diretriz publicada no início de novembro por 17 instituições do mundo, entre elas a Sociedade Americana de Câncer e o Colégio Americano de Medicina do Esporte, demonstrou que fazer exercícios físicos regulares pode melhorar a expectativa de vida de quem teve um câncer e até evitar que ele apareça.

Entretanto, 29% dos homens alegam não realizar atividade física e 15% declaram que se exercitam apenas uma vez por semana, segundo aquela pesquisa da revista SAÚDE. Quase 50% dos entrevistados afirmaram que estão com excesso de peso (42% acima do peso ideal e 6% muito acima do peso).

Fonte: Veja/Saúde