Coronavírus: 7 avanços científicos conquistados em meio à pandemia

GETTY/BBC

 

Há quanto tempo o novo coronavírus chegou para colocar nosso mundo de cabeça para baixo? O isolamento fez o ano passar mais rápido ou devagar? Quando chegará o “novo normal”?

A pandemia de coronavírus — que, aliás, foi declarada como tal pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há (apenas?) seis meses — está afetando de diversas formas nossa percepção do tempo.

E se tem um campo em que os limites do tempo parecem ter sido alterados de forma inédita foi o da ciência.

“Embora possa parecer uma eternidade, é um período (o da pandemia) muito curto para se obter avanços em pesquisas”, dizem os professores Begoña Sanz e Gorka Larrinaga, do Departamento de Fisiologia Humana da Universidade do País Basco, em conversa com a BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

E, ainda assim, os avanços estão acontecendo.

“A verdade é que a área de pesquisas está recebendo um grande estímulo de outros campos”, levando a “muitas mudanças pioneiras e revolucionárias”, afirma Miguel Pita, doutor em genética e biologia celular.

As profundas crises sociais, econômicas e de saúde causadas pela pandemia mobilizaram investimentos de milhões de dólares e o trabalho incansável de milhares de cientistas de todo o mundo — e, com isso, pelo menos sete aspectos da ciência já mudaram, de acordo com cientistas entrevistados pela reportagem.

1. Colaboração entre equipes
“O coronavírus promoveu a colaboração entre muitas equipes. E essa é uma notícia muito boa”, diz Pita, professor na Universidade Autônoma de Madrid.

“Os pesquisadores tendem a ser muito colaborativos, mas a pandemia foi um estímulo adicional. E os resultados têm sido compartilhados rapidamente para todos os grupos”.

Begoña Sanz e Larrinaga concordam.

“Obviamente, a pressão exercida pela gravíssima situação sanitária e socioeconômica mundial fez aumentar a colaboração de muitas universidades, grupos e centros de pesquisa”, explicam.

2. Sequenciamento do vírus
Uma destas áreas com forte colaboração internacional é também uma das que registra “grandes avanços”, segundo Pita.

“De forma resumida, diria que, no campo da bioinformática, tem havido grandes inovações na análise de sequências do material genético de cada vírus que infecta as pessoas. Isso nos permite ver como ele evolui com o passar do tempo”, explica o pesquisador.

Desde que a China relatou a existência do novo coronavírus à Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de dezembro de 2019, até os primeiros dias de setembro, pesquisadores de todo o mundo registraram 12 mil mutações em seu genoma, de acordo com a revista científica Nature.

E o número cresce a cada dia.

Nas palavras de Pita: “A comunidade científica está colocando suas melhores ferramentas a serviço desta investigação — aumentando muito a capacidade de cálculo e de revisão das alterações genéticas do coronavírus.”

3. Testes

Um dos grandes desafios no combate à covid-19 tem sido detectar pessoas infectadas a fim de isolá-las e, assim, conter a disseminação da doença.

Sobre isso, Pita destaca “o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico muito poderosas e que usam ferramentas de edição de genes — um elemento muito importante da genética hoje”.

O pesquisador reconhece que testes de diagnóstico rápido são “menos sensíveis” que os testes moleculares (PCR), e portanto muitos acabam não sendo confiáveis para a tomada de decisões, mas têm a vantagem de oferecer resultados imediatos e ajudar epidemiologistas a traçar um cenário sobre o avanço (ou não) da doença em determinadas comunidades.

Pita cita também o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico diferencial para distinguir o SARS-CoV-2 de outros vírus, “o que é de grande importância para o diagnóstico correto dos doentes e, portanto, para a escolha do tratamento”.

4. A corrida da vacina
O fato deste coronavírus e a doença que ele causa serem novos significa que ainda há muito desconhecimento sobre eles. Mas há algo que para os especialistas é evidente: a única maneira de chegar a uma imunidade coletiva é com uma vacina.

E o sucesso disto depende do cumprimento de alguns requisitos: é preciso encontrar uma candidata que se mostre eficaz, segura e passível de ser administrada à população de forma massiva, dizem Begoña Sanz e Larrinaga.

“Se, como diz a OMS, isso acontecesse em 2022 — embora nos pareça distante —, seria um grande sucesso, considerando o tempo que se levou para obter outras vacinas e aplicá-las em grande parte da população mundial.”

Na verdade, o prazo usual para o desenvolvimento de vacinas é de 15 a 20 anos; agora, pode ser que cheguemos a um recorde de um ou um ano e meio.

Isso foi destacado em um artigo publicado no mês passado no periódico JAMA e liderado por Paul Offit, um imunologista americano famoso por ter participado da criação de uma vacina contra o rotavírus.

O texto diz que o projeto de uma vacina contra o SARS-CoV-2 está caminhando em “velocidade vertiginosa”.

Mas a novidade não está apenas no tempo, mas também nas diferentes metodologias utilizadas para o seu projeto — “algumas delas com características nunca antes consideradas”, diz Pita.

“São vacinas que, tendo eficácia comprovada, representariam um processo de produção industrial muito mais rápido do que de vacinas com desenhos clássicos — algo muito útil em uma situação como a atual (de pandemia)”, afirma o pesquisador.

O artigo no JAMA explica duas novas metodologias que estão sendo utilizadas no desenvolvimento das vacinas.

Uma é o das vacinas de RNA mensageiro (mRNA), que “nunca foram usadas comercialmente para prevenir infecções”, afirma o artigo. É o caso dos projetos da Moderna e também da parceria entre Pfizer e BioNTech.

A outra metodologia é baseada na modificação genética de uma família do vírus da gripe comum, como vem sendo testado pela Johnson & Johnson e pela parceria entre Universidade de Oxford e AstraZeneca.

“Semelhante às vacinas de mRNA, não existem vacinas disponíveis comercialmente para prevenir doenças humanas usando esta estratégia (da alteração genética). Seu uso clínico foi limitado a uma vacina licenciada contra a raiva animal”, diz o estudo publicado no JAMA.

De acordo com Offit e sua equipe, vários fatores como “a natureza trágica de uma pandemia em curso criaram um terreno fértil para a inovação”.

“Embora o sucesso definitivo de uma candidata, ou candidatas, a vacina ainda seja desconhecido, as mudanças na área das imunizações que estas exigentes circunstâncias trouxeram provavelmente vieram para ficar”, dizem os pesquisadores.

5. Outros tratamentos
Além da corrida por uma vacina, pesquisadores também estão dedicados ao desenvolvimento de tratamentos para pacientes infectados com o novo coronavírus — seja com medicamentos existentes, completamente novos, apostando no vírus como alvo ou no fortalecimento do sistema imunológico.

Há também terapias em teste que focam em diferentes fases da doença, desde as mais leves às mais graves.

A OMS monitora mais de 1,7 mil estudos com terapias em potencial pelo mundo, dos quais 990 já estão recrutando pacientes para experimentos.

A organização também coordena um projeto internacional, o Solidarity, que foca em três tratamentos promissores (e já existentes para outras doenças): remdesivir; lopinavir/ritonavir apenas ou associado ao interferon beta. Já foram recrutados 5,5 mil pacientes para estudos clínicos em 21 países. Segundo a OMS, “embora ensaios clínicos randomizados normalmente levem anos para serem elaborados e conduzidos, o Solidarity reduzirá o tempo gasto em 80%”.

6. Práticas de higiene
“Outro grande avanço, não diretamente relacionado às pesquisas nos laboratórios mas que é fundamental para o futuro, é a introdução na cultura dos cidadãos de certos hábitos de higiene e prevenção que ajudarão a conter este e outros surtos causados por vírus”, afirmam Begoña Sanz e Larrinaga.

É o caso do uso de máscaras e de se evitar locais com aglomeração, principalmente fechados, quando há pessoas com sintomas gripais.

Na verdade, estudos em diferentes países já mostram que as medidas tomadas contra a covid-19 tornaram a temporada de outras doenças respiratórias virais menos extensa e mortal.

Por exemplo, uma pesquisa publicada no mês passado no periódico British Medical Journal (BMJ) analisou dados sobre resfriados, gripes e bronquite de 500 clínicas na Inglaterra e descobriu que, em média, nove vezes menos casos foram registrados na comparação com os cinco anos anteriores.

7. A importância da ciência

Para Mercedes Jiménez Sarmiento, bioquímica do Centro de Pesquisas Biológicas Margarita Salas, na Espanha, “uma mudança profunda e resultado da pandemia é que a sociedade entendeu que a solução passa pela ciência”, disse ela à BBC News Mundo.

Os cidadãos, explica, “quiseram saber sobre saúde e ciência, e fizeram-no diretamente com os especialistas. Estes, por sua vez, têm se esforçado para se comunicar melhor, estimulados pela busca por informação de qualidade por parte dos jornalistas e sociedade”.

Jiménez Sarmiento enfatiza que “comunicar ciência não é fácil”: “São conteúdos complexos com uma linguagem segmentada. Os avanços também são lentos e com base em evidências muitas vezes não óbvias, que se modificam quando surgem novas evidências. E isso é difícil de aceitar”.

Por isso, ela acredita que “tem havido um grande avanço mútuo da ciência e da sociedade, porque agora estão mais próximas do que nunca e devem se apoiar”.

 

Fonte: BBC News

É possível e preciso prevenir o suicídio

Prevenção do suicídio é alvo da campanha de conscientização do Setembro Amarelo. Foto: Bozena Fulawka/Getty Images

 

Tema ainda rodeado de tabus e preconceitos, o suicídio é considerado um desafio de saúde pública. Um dos principais equívocos que persistem por aí é a noção de que ele é uma reação abrupta ou disparada do nada. Na maioria das vezes, o suicídio é o desfecho de um sofrimento prolongado e alimentado por transtornos mentais como a depressão.

Falamos de um problema com múltiplas causas cuja solução depende de uma abordagem multissistêmica, desempenhada por diversos setores da sociedade. O Setembro Amarelo é o mês de conscientização sobre o assunto, mas a prevenção deve ocorrer o ano inteiro. E é para ajudar nessa empreitada que surgem movimentos focados em saúde mental como o Falar Inspira Vida, do qual VEJA SAÚDE é signatária. Precisamos falar sobre suicídio — e do jeito certo!

Números que doem na alma

97% dos casos de suicídio são ligados a transtornos psiquiátricos. Em primeiro lugar aparece a depressão.

11 mil suicídios são registrados por ano no Brasil — no mundo, o número passa de 1 milhão.

Um aumento de 10% no número de suicídios foi detectado no país de 2000 a 2012 — entre os jovens, o crescimento passa de 30%.

Pelo menos 5% da população brasileira convive com a depressão hoje. Isso representa mais de 10 milhões de cidadãos.

O que precisa mudar?

Especialistas expõem seu ponto de vista sobre os desafios que cercam o suicídio.

Carlos Correia, porta-voz do Centro de Valorização da Vida (CVV):

“A prevenção do suicídio é de responsabilidade de toda a sociedade. Quando a importância de estar bem com as próprias emoções passa a ser reconhecida, as pessoas aprendem a identificar se o que sentem não é um estado de ânimo passageiro e ficam mais abertas a procurar ajuda. Ainda é comum ter vergonha, culpa e se sentir julgado por não estar bem. À medida que falamos a respeito, percebemos que isso não é tão incomum e que podemos necessitar de apoio. Foi assim com o câncer de mama: antes nem sequer falávamos o nome da doença. Em termos prático, podemos sensibilizar as pessoas para a escuta empática, que deixa o outro desabafar sem cortes, críticas ou conselhos. Ouvir de forma atenta e empática é algo que muitos podem fazer. Além disso, precisamos trabalhar a educação emocional desde cedo e ampliar a oferta de serviços gratuitos de atendimento.”

Leia mais em: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/e-possivel-e-preciso-prevenir-o-suicidio/

Fonte: VEJA SAÚDE

Coronavac: primeiros dados sobre eficácia da vacina devem sair em outubro

Segundo diretor do Instituto Butantan, a pesquisa com essa vacina criada na China para o coronavírus está avançando sem intercorrências até o momento

As pesquisas com as vacinas contra o coronavírus estão avançando rapidamente. Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital

 

O ensaio clínico de fase 3 com a vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, está evoluindo rapidamente no Brasil, sem qualquer intercorrência registrada até o momento. A afirmação é de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, em coletiva de imprensa realizada no dia 9 de setembro. A expectativa é que, até o fim de setembro, todos os 8 870 voluntários já tenham recebido as duas doses desse imunizante contra o coronavírus. A análise da eficácia teria início em meados de outubro.

“Havendo comprovação da eficácia, a vacina poderá ser registrada pela Anvisa e, em seguida, disponibilizada ao Ministério da Saúde. Em dezembro, o Butantan terá 46 milhões de doses disponíveis para o Ministério da Saúde dar início ao programa de imunização. Entendo que esta é uma perspectiva realista”, disse Covas.

Até o momento, mais de 4 mil voluntários brasileiros receberam a primeira dose da vacina contra o Sars-CoV-2. Uma parte também já tomou a segunda aplicação. “Na etapa atual, além da inclusão dos voluntários, fazemos o seguimento de segurança e o monitoramento dos casos de Covid-19 entre os participantes. Caso algum deles apresente qualquer sintoma respiratório, é feito o teste de RT-PCR [capaz de detectar o material genético do vírus em amostra biológica] para confirmar se contraiu ou não a doença. Mas ainda não temos resultados preliminares sobre a eficácia”, afirmou à Agência Fapesp o médico Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e coordenador do estudo clínico no Brasil.

Como explicou Kallás, a eficácia da vacina será medida por sua capacidade de prevenir casos de Covid-19 entre a população vacinada. Segundo o pesquisador, o ensaio clínico de fase 3 não tem como objetivo primário avaliar quanto a formulação é capaz de induzir a produção de anticorpos, mas sim quanto ela de fato é capaz de prevenir casos da doença.

Leia mais em: https://saude.abril.com.br/medicina/coronavac-primeiros-dados-sobre-eficacia-da-vacina-devem-sair-em-outubro/

 

Fonte: Veja / Saúde

Excesso de álcool aumenta os riscos de câncer e compromete tratamentos

O consumo de bebidas alcoólicas parece ter aumentado durante a quarentena, mas é importante se atentar aos seus malefícios e sua associação com tumores

Foto: Alex Silva/A2 Estúdio

 

Durante a quarentena, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) observou um aumento de 40% nas vendas de bebidas alcoólicas. Os motivos podem ser inúmeros: estresse, ansiedade, preocupação, ou mesmo distração, principalmente através de encontros virtuais.

O consumo precisa ser responsável, já que o abuso traz muitos malefícios para o corpo. Além de depressora, essa droga está relacionada ao desenvolvimento de diversas doenças, inclusive o câncer. Tumores de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado e intestino são mais comuns entre usuários de álcool.

A verdade é que mesmo baixas doses são tóxicas para o organismo — embora o exagero seja muito mais prejudicial. Não existe quantidade segura para o corpo. O álcool e os subprodutos de seu metabolismo, como o acetaldeído, podem ser classificados como carcinogênicos.

Um ponto importante é que os tumores relacionados ao consumo de álcool também são fomentados pelo cigarro. A combinação desses dois fatores potencializa o risco de câncer. Para reduzi-lo, é imprescindível controlar o consumo.

Para pacientes oncológicos em tratamento, as bebidas alcoólicas são desaconselhadas, porque podem provocar diversos sintomas, como a alteração do hábito intestinal, náuseas, vômitos e diarreia. Isso, junto com os efeitos da doença e das terapias, compromete o bem-estar e a própria continuidade do tratamento.

Aliás, o álcool também pode interferir na absorção de medicamentos oncológicos que tenham sido utilizados via oral. Ele chega até a afetar a metabolização de tratamentos injetáveis. Ou seja, pode diminuir a eficácia ou exacerbar reações adversas da quimioterapia.

As estratégias mais eficientes para evitar o câncer ainda são reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas, não fumar, praticar atividades físicas, proteger-se do sol e manter a rotina de exames preventivos (como Papanicolau, mamografia e colonoscopia). A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) disponibiliza em seu site materiais educativos de prevenção, que estão ao alcance de todos.

*Por Dra. Angélica Nogueira, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e Coordenadora do Comitê de Tumores Ginecológicos.

 

Fonte: Veja / SAÚDE é Vital

O que é carga viral e qual sua importância na gravidade da Covid-19

Sintomas e complicações da Covid-19 seriam menos frequentes em quem possui poucas cópias do coronavírus no organismo. E as máscaras ajudariam aí

A quantidade de Sars-CoV-2 circulando pelo corpo talvez influencia na severidade da Covid-19. Ilustração: Marcos de Lima/SAÚDE é Vital

As máscaras ganharam destaque na pandemia como uma das principais formas de prevenção da Covid-19. Mas é possível que, mesmo quando não barrem por completo a entrada do coronavírus (Sars-CoV-2) no organismo, elas contribuam para que a doença cause sintomas mais brandos, como sugerem pesquisadores americanos em um artigo publicado no periódico Journal of General Internal Medicine. E isso teria tudo a ver com a chamada carga viral.

O que é isso? Segundo a infectologista Nancy Bellei, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a carga viral é a quantidade de cópias de um vírus encontradas em determinado fluido ou secreção.

“Quando alguém é infectado, o vírus se replica no seu organismo. Dependendo da enfermidade, é possível detectá-lo pelo sangue ou eventualmente em outros fluidos”, relata Nancy, que também é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para isso, são necessários exames específicos que procuram o material genético do invasor em amostras sanguíneas ou de secreção nasal, por exemplo.

No caso do HIV e da hepatite C, a quantificação da carga viral chega a influir na escolha do tratamento — concentrações mais altas desses patógenos exigem tratamentos mais potentes. Mas e o coronavírus com isso?

A importância da carga viral na Covid-19 — e o que as máscaras têm a ver com isso
No artigo citado anteriormente, cientistas da Universidade da Califórnia e da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirmam que as máscaras teriam uma função dupla na contenção do coronavírus.

A primeira — e mais reconhecida pela ciência — é a de que evitam a transmissão do Sars-CoV-2 por gotículas respiratórias. Uma revisão de estudos mostrou que a possibilidade de contaminação, ao vesti-las, é de apenas 3,1%.

Já a segunda — que, por enquanto, é somente uma teoria — está relacionada à disseminação de uma carga viral menor. Veja: mesmo sendo eficazes, as máscaras não barram totalmente a passagem do vírus. Ou seja, algumas poucas cópias do Sars-CoV-2 podem passar pelas camadas de tecido e infectar alguém, embora isso seja menos comum. Mas, mesmo nessa situação, a quantidade de coronavírus a entrar no seu corpo seria menor do que na ausência de uma máscara.

Conclusão: com uma menor carga viral, o organismo conseguiria combater a Covid-19 com mais eficiência e rapidez, o que se traduziria em menos sintomas e complicações.

Pesquisas com outros males respiratórios dão embasamento à hipótese de que, quanto maior a carga viral, maior o estrago provocado pela enfermidade. Uma delas contou com a expertise de Nancy e foi realizada de 2009 a 2013 no hospital da Unifesp.

A ideia era avaliar o vírus sincicial respiratório (VSR), invasor por trás de muitos casos de bronquiolite nos bebês, em amostras de swab nasal — o mesmo teste utilizado para diagnóstico do novo coronavírus. Foi colhido material de 196 crianças sintomáticas, 192 cuidadores assintomáticos, 165 profissionais de saúde (70 sintomáticos e 95 assintomáticos) e 143 portadores do HIV (43 sintomáticos e 100 assintomáticos). Conclusão: quanto maior a carga viral, maior o risco de a pessoa desenvolver sinais da doença.

Outro exemplo, dessa vez envolvendo o próprio Sars-CoV-2, é citado naquele artigo americano. Trata-se um surto de Covid-19 em março de 2020 ocorrido em um cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, para uma viagem de 21 dias pela Península Antártica.

Após detectarem um caso de coronavírus a bordo, os responsáveis distribuíram máscaras para a tripulação e os passageiros. Até o fim do cruzeiro, 128 dos 217 indivíduos no navio foram diagnosticados com a doença. Só que, entre eles, 81% não apresentaram sintomas — uma taxa muito mais positiva do que a esperada. Para ter ideia, no já conhecido episódio do cruzeiro “Diamond Princess”, que atracou no Japão, só 18% das pessoas infectadas não manifestaram sinais da enfermidade. E, nesse caso, não houve orientação para uso de máscaras desde o princípio. A carga viral seria uma explicação para essa discrepância tão grande.

Por outro lado, cabe destacar que não temos estudos controlados conduzidos em seres humanos para confirmar essa hipótese — os próprios americanos pontuam tal limitação no artigo.

Nancy participou de um estudo, ainda em fase de aprovação para publicação, que reuniu 875 pacientes no hospital da Unifesp. O resultado aponta que pessoas que morreram devido à Covid-19 possuíam maior carga viral.

Entretanto, não houve controle de certos fatores que influenciam os achados. Nancy e sua turma não sabem, por exemplo, se outras doenças ou a aplicação de medicamentos interferiram nos óbitos.

“Por enquanto, só há uma suspeita de que a carga viral esteja relacionada a uma maior letalidade”, conclui a expert. De qualquer forma, como as máscaras já são recomendadas para a população geral, fica o reforço de que, com elas, talvez a Covid-19 se torne menos letal.

 

Fonte: Veja / SAÚDE é Vital

Microesferas contra o Alzheimer

Farmacêutica brasileira aposta em tecnologia pouco empregada no país que permite melhorar eficácia e adesão ao tratamento

 

Ilustração: Otávio Silveira/SAÚDE é Vital

 

Talvez você nunca tenha ouvido falar em pellets, mas eles já apareceram em sua vida quando tomou um remédio para gastrite, por exemplo. Falamos de microesferas que, inseridas dentro de uma cápsula,dispersam o princípio ativo dentro do corpo. E a ideia do laboratório paranaense Prati-Donaduzzi foi investir nessa tecnologia para contra-atacar o Alzheimer e outras doenças, como depressão.

A empresa tem uma linha de produção e desenvolvimento direcionada aos pellets — hoje, a maioria do material é importada. “Pegamos essas bolinhas feitas com componentes inertes e aplicamos como se fossem camadas de pintura com os princípios ativos e outras moléculas para protegê-los da passagem pelo estômago”, ilustra Liberato Brum Júnior, gerente de inovação e pesquisa clínica da farmacêutica.

Uma das vantagens já é vista na medicação contra o Alzheimer: graças aos pellets, o princípio ativo tem uma liberação imediata e outra mais prolongada. “Com isso, o paciente pode tomar apenas uma cápsula por dia e tende a ficar com um quadro mais estável”, conta Brum Júnior.

Problemas na mira

Cápsulas ou comprimidos com as microesferas poderão ser usados contra outras doenças

  • Depressão
  • Hipertensão
  • Hiperplasia benigna da próstata (inchaço da glândula)
    Gastrite
  • Outras doenças do sistema nervoso central

 

Ilustração: Laura Luduvig/SAÚDE é Vital

 

 

 

Fonte: Veja / SAÚDE é Vital

ANS obriga planos de saúde a incluírem teste sorológico da covid-19

© Roque de Sá/Agência Senado

 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu incorporar ao rol de procedimentos e eventos em saúde o teste sorológico para detectar a presença de anticorpos produzidos pelo organismo após exposição ao novo coronavírus (covid-19). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13), pela diretoria colegiada da agência.

A resolução normativa passará a valer após publicação no Diário Oficial da União. O procedimento incorporado é a pesquisa de anticorpos IgG ou anticorpos totais, que passa a ser de cobertura obrigatória para os beneficiários de planos de saúde a partir do oitavo dia do início dos sintomas, nas segmentações ambulatorial, hospitalar e referência, conforme solicitação do médico.

Porém, para se justificar o pedido, é necessário preencher alguns critérios obrigatórios, ao mesmo tempo em que não poderá se encaixar em outros critérios excludentes.

Segundo a ANS, poderão realizar o teste sorológico pacientes com Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) a partir do oitavo dia do início dos sintomas, além de crianças ou adolescentes com quadro suspeito de Síndrome Multissistêmica Inflamatória pós-infecção pelo coronavírus.

Por outro lado, estarão excluídos da realização obrigatória do exame pacientes que já tenham RT-PCR prévio positivo para coronavírus; pacientes que já tenham realizado o teste sorológico, com resultado positivo; pacientes que tenham realizado o teste sorológico, com resultado negativo, há menos de 1 semana, exceto para crianças e adolescentes com quadro suspeito.

Também estarão excluídos a realização de testes rápidos; pacientes cuja prescrição tem finalidade de rastreamento, retorno ao trabalho, pré-operatório, controle de cura ou contato próximo/domiciliar com caso confirmado, e verificação de imunidade pós-vacinal.

Segundo a ANS, as definições para Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave são as seguintes:

Síndrome Gripal (SG): Indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos. Em crianças: além dos itens anteriores considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. Em idosos: deve-se considerar também critérios específicos de agravamento como sincope, confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Indivíduo com SG que apresente: dispneia/desconforto respiratório OU pressão persistente no tórax OU saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou rosto. Em crianças: além dos itens anteriores, observar os batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência.

Dúvidas podem ser esclarecidas na página da ANS na internet ou pelo telefone 0800 701 9656.

 

Fonte: Agência Brasil

Universidade de Brasília e HUB iniciam teste de vacina contra covid-19

Apenas profissionais de saúde podem participar do estudo

© Robson Valverde / SES-SC

 

Começa a ser testada hoje (5) pela Universidade de Brasília (UnB) e pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) a vacina contra o novo coronavírus (covid-19), desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech.

Os primeiros que vão participar do estudo-teste são cinco profissionais da saúde que atuam no atendimento de infectados, mas não tiveram ainda a doença.

A vacina que eles receberão é inativada e será aplicada em duas doses, com intervalo de 14 dias. De acordo com a UnB e o HUB, os resultados apresentados na fase 2 de desenvolvimento “foram considerados promissores e demonstraram a produção de anticorpos neutralizantes em 90% dos participantes que receberam a imunização”.

O HUB é um dos 12 centros no Brasil que participam da fase 3 do ensaio clínico nacional, coordenado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Infraestrutura de acolhimento

A equipe multiprofissional que desenvolve a pesquisa é integrada por 25 pessoas e acompanhará 850 voluntários. Para isso, o HUB preparou uma infraestrutura de acolhimento para que o projeto seja desenvolvido “seguindo rigorosamente as normas nacionais e internacionais de boas práticas em pesquisa clínica”.

Segundo a UnB, apenas profissionais de saúde podem se candidatar a participar do estudo. No entanto, ressalta que, para isso, é necessário que os candidatos cumpram alguns critérios.

Entre eles, o de trabalhar em serviço de saúde atendendo pessoas com covid-19; ser maior de 18 anos; não ter sofrido infecção assintomática ou a doença causada pelo novo coronavírus; apresentar condição de saúde normal; e ter disponibilidade para realizar o acompanhamento periódico por um ano após a vacinação.

“Os profissionais de saúde interessados em participar da pesquisa poderão ter informações sobre os critérios de inclusão e a forma de registrar o interesse em participar por meio de uma página na internet, cujo endereço será disponibilizado nos próximos dias. O HUB não faz cadastro de candidatos”, informou, por meio de nota, a Universidade de Brasília.

Fonte: Agência Brasil 

 

OMS diz que pandemia de covid-19 é “uma grande onda”, não é sazonal

Organização desaconselha grandes aglomerações

 

Uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu a pandemia de covid-19 nesta terça-feira (28/07) como “uma grande onda” e pediu cautela durante o verão do Hemisfério Norte, já que a infecção não compartilha a tendência do vírus da gripe de acompanhar as estações.

As autoridades da OMS têm se esforçado para evitar descrever um ressurgimento de casos de covid-19 como os de Hong Kong como “ondas”, já que isso sugere que o vírus está se comportando de maneiras fora do controle humano, quando na verdade uma ação organizada pode refrear sua disseminação.

Margaret Harris repetiu esta mensagem durante uma coletiva de imprensa virtual em Genebra. “Estamos na primeira onda. Será uma grande onda. Ela subirá e descerá um pouco. A melhor coisa é achatá-la e transformá-la em algo que passa junto aos pés”, disse.

Apontando para os números altos de casos no auge do verão dos Estados Unidos, ela pediu vigilância na aplicação de medidas e desaconselhou grandes aglomerações.

“As pessoas ainda estão pensando sobre estações do ano. O que todos precisamos ter na cabeça é que esse é um novo vírus que está se comportando de forma diferente”, disse.

Mas ela também expressou o temor de casos de covid-19 coincidirem com casos de gripe sazonal normal durante o inverno do Hemisfério Sul e disse que a OMS está monitorando isso atentamente.

Por enquanto, disse, amostras de laboratório não estão mostrando muitos casos de gripe, o que indica um início de estação tardio.

“Se você tem um aumento de uma doença respiratória quando já tem um fardo muito grande de doenças respiratórias, isso coloca ainda mais pressão no sistema de saúde”, disse, pedindo para que as pessoas a se vacinarem contra a gripe.

 

 

Fonte: Agência Brasil

Foto: Freepik

Covid-19: “podemos ter mais de 1 milhão de doses de vacina”

Tudo depende de como os testes serão concluídos, diz pesquisador

Foto: Freepik

Estimativas iniciais de produção de um milhão de doses da vacina experimental contra covid-19, da Universidade de Oxford, até setembro podem estar subestimadas dependendo de como os testes em estágio avançado serão concluídos, disse hoje, em Londres, um pesquisador.

“Poderá haver um milhão de doses fabricadas até setembro, isso agora parece uma notável subestimativa, dada a escala do que está acontecendo”, afirmou Adrian Hill, da Universidade de Oxford, se referindo à capacidade de produção da AstraZeneca, parceira da universidade no desenvolvimento da vacina.

“Certamente haverá um milhão de doses em torno de setembro”, acrescentou. Ele disse, ainda, que é possível as vacinas estarem disponíveis até o fim do ano.

Resposta imunológica

A vacina experimental da AstraZeneca contra a covid-19 se mostrou segura e produziu resposta imunológica em testes clínicos de estágio inicial feitos em voluntários saudáveis, mostraram informações divulgadas hoje, em Londres.

A vacina, chamada Azd1222 e que está sendo desenvolvida pela farmacêutica em parceria com cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, não apresentou nenhum efeito colateral grave e provocou respostas imunes com anticorpos e células T, de acordo com os resultados dos testes publicados na revista médica The Lancet.

A vacina está sendo testada desde junho no Brasil em fase 3 de estudos clínicos, a última etapa antes do registro, num estudo liderado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Esperamos que isto signifique que o sistema imunológico lembrará do vírus para que nossa vacina proteja as pessoas por um período prolongado”, disse o principal autor do estudo, Andrew Pollard, da Universidade de Oxford.

“Entretanto, precisamos de mais pesquisas antes de podermos confirmar que a vacina protege efetivamente contra a infecção de Sarsd-CoV-2 (covid-19) e quanto tempo qualquer proteção dura”, disse.

Testes intermediários

A vacina da AstraZeneca é uma das principais candidatas no combate a uma pandemia que já tirou mais de 600 mil vidas, além de outras em testes intermediários e finais.

Entre elas, estão a vacina sendo desenvolvida pela chinesa SinoVac Biotech – que também está sendo testada no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo -, outra da estatal também chinesa Sinopharm e outra da empresa de biotecnologia norte-americana Moderna.

A AstraZeneca assinou acordos com governos de todo o mundo para fornecer a vacina caso ela se mostre eficiente e obtenha aprovação regulatória. A empresa disse que não buscará lucrar com a vacina durante a pandemia.

Um dos acordos foi feito com o governo brasileiro e prevê que a vacina seja produzida no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo a agência de notícias Reuters.

Pesquisadores disseram que a vacina provocou efeitos colaterais brandos com mais frequência do que ocorre em um grupo de controle, mas que alguns destes puderam ser reduzidos com o uso de paracetamol e que ela não causou efeitos adversos graves.

 

Fonte: Agência Brasil

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