Mexa-se para se proteger da Covid-19

Suar a camisa é essencial na prevenção e no controle de fatores que levam às complicações do coronavírus. Saiba por que e como se exercitar com segurança

Atividade física orientada ajuda a controlar a pressão alta, um dos fatores de risco para casos graves de Covid-19. Ilustração: Marcus Penna/SAÚDE é Vital

Grupos de risco. Seis meses após o novo coronavírus ter dominado o noticiário e nossa rotina, você já deve ter alguma familiaridade com esse termo. No caso da Covid-19, estamos falando das pessoas mais velhas ou com alguma doença crônica como obesidade, hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e respiratórios, entre outros. Em comum, quando elas são infectadas pelo vírus, seu organismo não consegue combatê-lo com tanta eficiência e, aí, os sintomas e as reações indesejadas pioram.

Mas, antes que você pense algo como “Ah, eu me cuido e não faço parte desse grupo”, tenha em mente que mais da metade dos adultos brasileiros (86 milhões de cidadãos) apresenta ao menos um dos fatores de risco para uma evolução grave da Covid-19.

Nesse mundo de gente, muitos nem sequer sabem que possuem um problema crônico — tem desde quem encare o excesso de peso como algo sem relação com a saúde até quem não desconfie da pressão ou da glicose elevadas porque elas são silenciosas. Mas estar ciente dessas questões, e ajustar o dia a dia para administrá-las, faz diferença até diante do coronavírus. Boa parte das complicações seria evitada se doenças prévias estivessem sob controle.

E uma das formas mais simples, eficazes e, por que não, prazerosas de prevenir ou domar tais condições é mexer o corpo. “Temos observado que indivíduos mais ativos se recuperam mais rapidamente da Covid-19 que os sedentários.

Hoje é obrigação do médico recomendar fortemente exercícios para o controle das doenças crônicas”, afirma o cardiologista e médico do esporte Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

A lista de benefícios da prática regular de atividade física é extensa e tem bônus na pandemia. “Quando nos exercitamos, o corpo produz substâncias anti-inflamatórias, e isso é crucial se levarmos em em conta que pacientes graves de Covid-19 desenvolvem um processo inflamatório intenso”, explica Antônio Lancha Jr., professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP). Botar o esqueleto em movimento não só ajuda a equilibrar a imunidade como trabalha o diafragma e os músculos intercostais, importantes ao sistema respiratório e na recuperação de um eventual ataque do coronavírus.

Se você já praticava alguma atividade, siga com ela, fazendo as adaptações necessárias. Caso contrário, ainda mais na presença de um problema de saúde crônico, consulte o médico antes dos primeiros passos e conte com um educador físico para orientar os treinos. Esse cuidado é bem-vindo para malhar respeitando suas particularidades e seus limites.

Falando neles, os especialistas não recomendam querer superá-los agora. Enquanto exercícios moderados melhoram nossa resistência a vírus e bactérias, treinos muito intensos podem comprometer o sistema imune — e o momento já não é dos melhores para isso.

Ao longo da reportagem, indicamos alguns caminhos para você controlar os principais fatores de risco da Covid-19 com a ajuda da atividade física e respondemos às dúvidas mais comuns de quem já está se mexendo ou pretende começar já.

Pressão alta

Estima-se que quase um em cada três brasileiros tem hipertensão. Fora elevar o risco de infarto e AVC, o aperto nas artérias costuma estar associado a mais gordura e inflamação pelo corpo, um conjunto de situações que aumenta também o risco de casos graves de Covid-19. Além disso, infecções respiratórias podem demandar mais do coração. “E muitos hipertensos, assim como os cardiopatas, já apresentam as funções cardíacas comprometidas”, observa o professor Lancha Jr.

O papel dos exercícios

A atividade física relaxa os vasos, melhora a circulação e fortalece o coração, além de controlar o peso e a glicemia. Os exercícios aeróbicos de maior duração e intensidade moderada (trote, corrida, bicicleta…) são os mais indicados. Não se esqueça de checar a pressão de vez em quando.

Cuidados especiais

“Faça intervalos mais longos, de 90 a 120 segundos, entre as séries de fortalecimento e evite exercícios isométricos de grandes grupos musculares por tempo prolongado”, indica Luciana Janot, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). Se não se sentir bem ou estiver com a pressão descompensada, fale com o médico antes.

Dilema 1: Tenho de usar máscara quando caminhar ou correr pelas ruas?

LSe houver a possibilidade de cruzar com outras pessoas, sim. Essa é a recomendação, mesmo que não seja obrigatório na sua cidade. Não há uma distância comprovadamente segura para se exercitar sem uma barreira como máscara ou balaclava.Mas atenção: quando a máscara fica úmida, ela perde parte da eficácia. Por isso, leve ao menos uma extra para trocar durante a atividade. E cuidado por onde pisa: o acessório pode reduzir seu campo de visão, dificultando que você note buracos e outros obstáculos na sua rota.

 

Leia a matéria complets no site da SAÚDE é Vital.

Fonte: Veja/ Saúde é Vital

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