Vacinas contra gripe poderão ser aplicadas em 24 farmácias no Rio

© Tomaz Silva/Agência Brasil

 

A campanha de vacinação contra a influenza ganhou hoje (27) um reforço no Rio de Janeiro. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começou uma parceria com redes de farmácias da cidade onde também será possível vacinar portadores de doenças crônicas não transmissíveis contra a gripe. Até a quinta-feira (30), maiores de 15 anos que estejam dentro do grupo poderão tomar a vacina gratuitamente em uma das 24 farmácias habilitadas das redes Venâncio, Pacheco, A Nossa Drogaria e Farmácia do Leme. As vacinas são as mesmas distribuídas aos estados pelo Ministério da Saúde.

Para se imunizar, a pessoa precisa apresentar documento com foto, pedido médico ou receita com a prescrição de medicamento para o seu caso. São consideradas doenças croônicas não transmissíveis: as doenças respiratórias crônicas, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, a imunossupressão e a obesidade. Pessoas com trissomia ou transplantadas também estão incluídas no grupo.

“Tem duas vantagens nas farmácias, servir como mais um ponto de atendimento e a vacinação por oportunidade, ou seja, a de atender quem vai lá para comprar remédio e que esteja no público-alvo. São pessoas, que, eventualmente, nem iriam a um posto normal de vacinação, que ali terão a oportunidade de se vacinar. É um grande movimento de abertura de outros pontos de vacinação e de evitar que essa pessoa tenha contato com alguém que possa ter covid-19 e transmitir”, disse o médico sanitarista da Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES), Alexandre Chieppe, em entrevista à Agência Brasil.

Detran
Também até sexta-feira, uma parceria entre a prefeitura do Rio e o Detran vai ampliar os locais de vacinação, nos postos do Detran da Barra da Tijuca, na zona oeste e da rua Haddock Lobo, na zona norte. O funcionamento é das 10h às 14h e, além de doentes crônicos, serão atendidos idosos que ainda não se vacinaram, caminhoneiros e motoristas de transporte coletivo. Todos com identificação.

Escolas
O médico sanitarista Alexandre Chieppe disse que a ampliação dos postos de atendimento foi uma recomendação para todos os 92 municípios do estado, que deveriam montar uma estratégia para evitar aglomerações e facilitar a ida das pessoas aos locais.

No Rio de Janeiro, além dos postos do Detran, alguns municípios também fazem vacinação em casa, principalmente para pessoas mais velhas ou com dificuldade de locomoção. “Muitos locais também estão utilizando o espaço das escolas que estão fechadas para poder fazer vacinação. São estratégias muito bem-vindas, porque diminuem a aglomeração de pessoas nos postos de vacinação”, completou.

Campanha
De acordo com Chieppe, a primeira etapa da campanha de vacinação contra a influenza, voltada para pessoas acima de 60 anos, teve uma cobertura bastante satisfatória. Agora, na segunda etapa, a procura tem sido elevada, até por conta do temor em relação à pandemia de covid-19 e os sintomas serem bastante semelhantes. O médico voltou a alertar que a vacina é contra a influenza e que, até o momento, não existe forma de se imunizar contra o novo coronavírus, responsável pela doença respiratória covid-19.

“Havia uma preocupação de que as pessoas, achando que estavam se vacinando contra a covid, eventualmente, pudessem relaxar as medidas de proteção. A gente enfatizou que a vacina é contra a gripe, atualizada em relação às cepas que circulam no Brasil e nos principais locais do mundo. Ela deve ser tomada por todo o público-alvo, independentemente de já ter se vacinado no ano passado. Ela visa proteger contra uma doença muito grave e que infelizmente causa muitas mortes todo ano que é a gripo”, destacou, acrescentando que é importante atingir a cobertura vacinal, uma vez que quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor a possibilidade de circulação do vírus.

Salas de vacinação
Na capital, que passa a contar com o reforço das farmácias a partir de hoje, a SMS também manteve as 233 salas de vacinação em clínicas da Família e nos centros municipais de Saúde. Nesses locais, o atendimento é das 8h às 17h.

A secretaria informou que desde o início da Campanha de Vacinação contra a Gripe, no dia 23 de março, foram imunizadas mais de 1 milhão de pessoas, com a cobertura de 95,6%, superando assim a meta de 90% do público-alvo de idosos. Na segunda fase, com o objetivo de imunizar profissionais das forças de segurança e salvamento; pessoas com doenças crônicas; funcionários do sistema prisional e pessoas privadas de liberdade; caminhoneiros e funcionários de transporte coletivo e do porto, mais de 82 mil já foram vacinados. A campanha segue até o dia 22 de maio.

Fonte: Agência Brasil

Obesidade entre os grandes fatores de risco para o agravamento da Covid-19

Dois novos estudos, um realizado na França e outro nos Estados Unidos, revelam que a obesidade é a condição crônica que mais leva pessoas a serem hospitalizadas pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). A inflamação gerada pelo excesso de peso seria a grande responsável pelas complicações nesses indivíduos.

Até agora, ninguém havia investigado a fundo a relação entre obesidade e Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Sabia-se apenas que boa parte dos diabéticos e hipertensos infectados – turma que é considerada grupo de risco – também é obesa, já que essas condições têm uma forte conexão.

Foi então que pesquisadores franceses, do Instituto Lille Pasteur, decidiram dar o primeiro passo. Eles examinaram 124 pessoas internadas por conta do Sars-Cov-2 de 27 de fevereiro a 5 de abril de 2020.

Os resultados mostraram que 47,6% eram obesas (ou seja, apresentavam índice de massa corporal, o IMC, maior que 30) e 28,2% tinham obesidade grave (IMC maior que 35). Os cientistas notaram ainda que 85 pacientes (68,6% do total) utilizaram ventilação mecânica, sendo que a proporção foi maior entre os obesos graves (85,7%).

De olho nos dados, os cientistas concluíram que a seriedade da infecção aumenta à medida que o IMC cresce. No entanto, eles não se debruçaram sobre os motivos por trás dessa relação. Mas a investigação americana, conduzida na Universidade de Nova York, avançou mais na questão.

Os estudiosos analisaram informações sobre 4 103 pacientes da cidade. Dentre eles, 44,6% eram cardíacos, 39,8%, obesos, e 31,8%, diabéticos. Enquanto 51,3% (2 104) foram acompanhados em casa, 48,7% (1 999) precisaram de hospitalização.

Ao fim da análise, os autores perceberam que o IMC alto era o problema crônico que mais resultava em internação e necessidade de ventilação mecânica. De acordo com eles, essa relação não se deu ao acaso.

Os experts contam que os casos mais graves eram aqueles com maior número de marcadores inflamatórios no corpo. E as lesões provocadas por essa inflamação exacerbada levaram à formação de coágulos, culminando em quadros de trombose e embolia pulmonar. Segundo o trabalho, a doença crônica com a associação mais forte a essa cascata de eventos é a obesidade.

Os americanos finalizam o documento sugerindo que os médicos deveriam considerar a testagem de marcadores inflamatórios durante a hospitalização por Covid-19. Assim, poderiam prever melhor quais pacientes correm mais risco de complicações.

Fonte: Saúde

Foto: Freepik

Para prevenir o coronavírus, troque as lentes de contato pelos óculos

Especialistas recomendam abdicar das lentes de lado durante a pandemia da Covid-19, porque usuários tendem a passar mais as mãos nos olhos

 

Academia Americana de Oftalmologia recomenda que usuários de lentes de contato deem preferência para os óculos durante pandemia do novo coronavírus. (Foto: Andrey Cherlat/iStock)

Uma das formas de prevenir o novo coronavírus (Sars-Cov-2) é não levar as mãos ao rosto. Acontece que quem utiliza lentes de contato costuma manipular os olhos mais vezes. Por isso, a Academia Americana de Oftalmologia emitiu um comunicado orientando essa turma a optar pelos óculos durante a pandemia.

A oftalmologista Alessia Braz, da ZEISS, faz um adendo: no isolamento social, algumas pessoas tendem a encarar o celular, a televisão e mesmo o computador com mais frequência — o que promove coceira, vermelhidão e irritação nos globos oculares.

“Esses sintomas, por sua vez, dão vontade de pôr os dedos nos olhos e são mais evidentes nos usuários de lentes de contato”, raciocina a especialista.

Além de diminuir a vontade de cutucar os órgãos da visão, os óculos funcionam como uma barreira física, protegendo-os de gotículas emitidas por pessoas infectadas ao conversarem ou tossirem, por exemplo.

“No entanto, essa não é a função prioritária dos óculos. Eles não oferecem 100% de segurança, já que a saliva consegue passar pelos espaços laterais, por cima e por baixo. Ou mesmo entrar pela boca ou pelo nariz”, alerta Alessia. Ou seja, nada de achar que está imune ao coronavírus só porque usa esse equipamento.

Agora, se você precisa colocar a lente de contato por alguma razão, não deixe de lavar as mãos frequentemente com água e sabão (ou usar o álcool em gel), principalmente antes e depois de colocá-la ou retirá-la.

“Dê preferência às lentes de descarte diário, evitando assim a manipulação excessiva”, sugere a oftalmologista.

Como higienizar os óculos corretamente

Não adianta fazer a troca sugerida pela Academia Americana de Oftalmologia e pecar na limpeza. Afinal, o Sars-Cov-2 também pode se alojar temporariamente nas lentes e em outras peças dos óculos. “A higienização deve ser realizada diversas vezes ao dia”, orienta a Alessia.

A expert informa que o ideal é adquirir lenços umedecidos próprios para limpar o objeto. Mas vale usar a boa e velha dupla formada por água e sabão (ou detergente neutro).

“Tente não pôr ou tirar sem necessidade os óculos ou colocá-los sobre mesas e outras superfícies que podem estar contaminadas”, orienta a profissional. Ah, e nada de ceder à mania de pôr as hastes na boca.

Um último recado: não limpe o objeto com o álcool em gel. “O produto é capaz de danificá-lo, além de comprometer a saúde ocular e causar queimaduras”, finaliza Alessia.

Fonte: Saúde

Coronavírus: quais cuidados pacientes com doenças reumatológicas devem ter

As doenças reumatológicas trazem preocupações adicionais com o coronavírus. (Foto: Alex Silva/A2 Estúdio)

 

Pessoas que sofrem com artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças reumatológicas autoimunes sempre têm uma preocupação com infecções. Por um lado, quando a enfermidade está descontrolada, o corpo fica mais suscetível ao ataque de vírus, bactérias e afins. Por outro, muitos dos tratamentos suprimem as tropas de defesa. Então, o que fazer para reduzir o risco de pegar o novo coronavírus (Sars-Cov-2) e o de sofrer com suas complicações?

Antes de tudo, convém ressaltar que não há estudos confirmando que os indivíduos com reumatismos se integram no grupo de risco para a Covid-19. “Como essas doenças são menos comuns, só teremos certeza disso com o avançar dos casos e das pesquisas”, interpreta o médico Eduardo Paiva, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). “Mas precisamos tomar as devidas precauções, considerando que nossos pacientes podem sofrer com déficits imunológicos”, completa. Já é certo, por exemplo, que essa população possui maior probabilidade de desenvolver sintomas graves da gripe.

Em um comunicado da SBR sobre o novo coronavírus, vários pontos de cuidado são colocados. Um dos temas mais abordados são as medicações. “Ninguém deve suspender o uso de qualquer remédio, seja um corticoide ou um biológico, sem conversar com o profissional de saúde”, alerta Paiva. Porém, ajustes na dose podem ser realizados, de acordo com a evolução do quadro de cada um.

Um exemplo apontado por Paiva: se a doença está bem controlada, o médico pode considerar ajustar as medicações para que organismo fique um pouco mais preparado para debelar infecções. Agora, deixar o problema progredir livremente sob a alegação de se proteger do coronavírus é um tiro no pé.

Outro ponto importante é verificar a necessidade de consultas presenciais O paciente pode conversar com o profissional de saúde por telefone e sanar suas dúvidas.

O Ministério da Saúde também recomendou que os gestores locais possibilitem aos médicos fazer receitas para remédios de uso contínuo com duração de mais de 30 dias. “É uma ótima medida, porque isso faz com que o paciente se desloque menos para manter o tratamento”, opina Paiva.

No mais, estudos preliminares apontaram um possível risco de o ibuprofeno agravar quadros de coronavírus. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que as evidências científicas são insuficientes para contraindicar esse anti-inflamatório, porém a SBR pede “cautela na indicação” entre os pacientes com condições reumatológicas. “Como temos muitas outras opções com a mesma ação desse medicamento, podemos substituí-lo sem grandes consequências enquanto aguardamos mais pesquisas”, informa Paiva.

Os cuidados no dia a dia do paciente com doença reumatológica
Eles não diferem muito da população em geral. Lave as mãos com frequência, fique em casa o máximo possível, evite aglomerações, mantenha uma rotina saudável…

No informe da SBR, destaca-se a necessidade de ficar com as vacinas em dia, especialmente contra gripe, pneumococos e coqueluche. As pessoas com doenças reumatológicas podem tomar sua dose do imunizante contra a gripe a partir do dia 16 de abril.

Fonte: Saúde

Como diferenciar o novo coronavírus de asma e alergias respiratórias

Os sintomas de asma e rinite são similares aos da Covid-19. (Ilustração: André Moscatelli/SAÚDE é Vital)

 

O outono, que dá início à temporada de alergias respiratórias, chegou. Devido ao clima seco, que favorece a concentração de partículas alérgenas, e à mudança climática, as crises costumam aparecer. Acontece que os sintomas de vários problemas respiratórios do tipo se confundem com os da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Você sabe diferenciá-los?

A alergista Fátima Rodrigues Fernandes, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), conta que as principais alergias que se manifestam nessa época são a rinite — caracterizada por coriza, espirro e entupimento nasal — e a asma, marcada por falta de ar, chiado no peito e tosse seca.

“Mas podem acontecer outras reações, como faringite, sinusite, laringite… Todas com sinais semelhantes”, complementa a especialista.

Pois bem: falta de ar e tosse seca também sinalizam a presença do novo coronavírus no organismo. “No entanto, nos quadros alérgicos, em geral não há febre, que é um dos principais indícios da Covid-19”, distingue Fátima.

Se a incerteza permanecer, antes de sair correndo para o hospital, entre em contato com o especialista que te acompanha. Até porque os casos leves de infecção por Sars-Cov-2 são tratados em casa, assim como os de uma alergia respiratória. “O médico tem mais condições de entender a origem dos sintomas e orientar se é o melhor momento de ir ao pronto-socorro”, ensina a expert.

Para evitar a dúvida, além de aderir às medidas de prevenção contra a infecção, é crucial continuar o tratamento de rotina das alergias. Ou seja: nada de suspender medicamentos e a bombinha sem uma conversa com o doutor.

E se eu nunca tive uma reação alérgica?
Normalmente, quem convive com asma e afins sabe reconhecer quando está em crise. Se esse não for o seu caso, verifique se algum elemento despertou os espirros, a coceira no nariz, a falta de ar…

“A reação alérgica ocorre devido à exposição a algum alérgeno ou por causa da mudança climática”, explica Fátima. Esses gatilhos incluem desde uma roupa que estava guardada no armário empoeirado ou com mofo até pelos de animais.

Sendo a sua primeira crise ou não, os profissionais orientam a manter a casa limpa e arejada, hidratar-se e lavar o nariz como forma de evitar as reações. Mas claro: se os sintomas persistirem ou piorarem, procure um médico.

Um recado sobre o coronavírus para quem tem problemas de pele
Apesar de seus sinais não se parecerem com os da Covid-19, as dermatites trazem um desafio adicional durante a pandemia atual.

Esse tipo de alergia é caracterizado por ressecamento, coceira e lesões na pele. Ocorre que lavar as mãos com água e sabão, a principal forma de se prevenir do novo coronavírus, pode piorar seus sintomas.

“E, quando a doença não está controlada, surgem rachaduras, o que aumentaria a exposição ao vírus. Além disso, as crianças afetadas acabam levando mais as mãos ao rosto para se coçarem”, acrescenta Fátima.

A recomendação para que essa turma não deixe se proteger contra a infecção é hidratar bem a cútis e, claro, não abandonar o tratamento para a dermatite.

 

Fonte: Saúde

É possível pegar o coronavírus mais de uma vez?

Na China, onde a pandemia iniciou, os relatos são mais fortes: ao menos 100 indivíduos que se curaram da doença voltaram a apresentar resultados positivos para a presença dessa ameaça microscópica. Será que o corpo não cria imunidade contra esse vírus, o que favoreceria uma reinfecção?

A verdade é que o mundo está aprendendo dia após dia com o coronavírus. Compreender como os pacientes se comportam até a alta é uma das questões-chave dessa história, pois isso tem o potencial de modificar as políticas públicas adotadas até o momento.

De acordo com a evidência científica atual, a probabilidade de uma reinfecção é remota. Quem aposta nisso é o médico Anthony Fauci, líder da força-tarefa contra o coronavírus dos Estados Unidos e um dos maiores especialistas do mundo em doenças infecciosas.

Numa entrevista para o programa The Daily Show, do canal da televisão americana Comedy Central, ele afirmou: “Se esse vírus age como qualquer outro que conhecemos, uma vez que você é infectado e se recupera, cria uma imunidade que protege de futuras infecções por esse mesmo agente”.

Como explicar então esses casos na Ásia?

O coronavírus é uma família com vários integrantes. Alguns deles infectam humanos, como é o caso Sars-CoV-2, responsável pela pandemia atual. Outros preferem morcegos, bois ou galinhas. E a experiência mostra que essa turma têm a capacidade, sim, de atazanar o mesmo ser vivo mais de uma vez. “Reinfecções não são eventos tão raros entre os coronavírus”, observa o virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

Por outro lado, segundo as pesquisas disponíveis, tudo leva a crer que esse risco de um bate e volta com o Sars-CoV-2 é bem baixo. Basta levar em conta que já são mais de 1 milhão de casos no mundo todo e ao redor de 100 relatos não confirmados de reinfecção em três países. “As análises também indicam que o novo coronavírus não possui uma alta taxa de mutações, o que certamente é importante”, acrescenta o imunologista Eduardo Finger, diretor do Laboratório de Pesquisa Experimental do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista.

Para entender direitinho porque a taxa de mutação dos vírus é relevante quando pensamos na criação de uma resposta imune sustentada, vamos usar como exemplo dois vilões muito comuns: o influenza e o sarampo.

Comecemos com o influenza, o causador da gripe: sabe-se que ele se modifica o tempo todo. Isso significa que nosso sistema de defesa perde a capacidade de reconhecê-lo com certa velocidade. Essa, aliás, é a razão de tomarmos a vacina contra a gripe todos os anos: os subtipos de influenza em circulação na nova temporada de frio costumam ser diferentes daqueles que pintaram no ano anterior.

A mesma coisa não acontece com o sarampo. Por ser um vírus mais estável, basta ter contato com ele uma vez (ou, de preferência, vacinar-se) para que o corpo o detecte e o ataque toda vez que o encontrar. Na maioria das vezes, duas doses do imunizante durante a infância são suficientes para oferecer proteção pelo resto da vida.

Outra possibilidade: uma interpretação inadequada dos exames

Talvez o que esteja sendo visto como reinfecção, na verdade, seja uma conclusão precipitada dos testes de diagnóstico da Covid-19. Um dos métodos mais utilizados hoje no mundo se chama PCR (sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase). Essa técnica rastreia a presença de pequenos trechos do código genético do vírus em amostras de um paciente.

“Sabemos que pessoas que receberam alta após o tratamento para a Covid-19 continuam excretando pedaços do coronavírus, o que daria um resultado positivo num teste desses. Isso, por sua vez, poderia ser entendido como reinfecção quando, na verdade, trata-se de uma infecção primária que não se resolveu totalmente”, explica Brandão.

Que fique claro: o PCR é um dos melhores métodos de detecção. Ele é inclusive recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O problema estaria na interpretação de seus resultados num contexto com milhares de pacientes em atendimento.

Reinfecção ou ainda em recuperação do coronavírus?

Uma terceira explicação para esses relatos nos três países orientais seria o fato de o paciente ainda não estar 100% recomposto da Covid-19 e receber alta antes da hora. Ora, após invadir as células superficiais da boca, dos olhos ou do nariz, o bendito Sars-CoV-2 pode descer pelo sistema respiratório até alcançar os pulmões.

Acontece que o teste de diagnóstico dessa infecção é feito com o auxílio de uma haste flexível com algodão na ponta. Essa ferramenta é introduzida pelo nariz até alcançar o comecinho da garganta. A ideia é esfregar o cotonete ali para retirar um pouco da mucosa, que será analisada no laboratório para ver se há coronavírus ou não no pedaço.

Algumas pessoas que estão se recuperando podem passar por esse exame e não apresentar vírus nessa região das vias aéreas superiores. Mas o agente infeccioso pode estar escondido mais pra baixo, lá nos pulmões. Com o resultado negativo, o sujeito é liberado da internação e, sem os cuidados com a saúde, volta a apresentar os sintomas, uma vez que a carga viral sobe de novo.

Seguindo essa linha de raciocínio, não estaríamos diante de um quadro de reinfecção, mas, sim, de uma doença que não foi devidamente tratada e curada.

Experiência com primatas

Um estudo realizado por um convênio de cientistas chineses acrescentou informações relevantes a essa história. Na experiência, quatro macacos rhesus foram infectados com o novo coronavírus e, após alguns dias, se recuperaram bem. Na sequência, eles tiveram contato novamente com o Sars-CoV-2: nenhum experimentou uma segunda infecção. Nem mesmo quando o vírus foi colocado diretamente no organismo desses primatas.

Apesar de interessante, o trabalho merece ressalvas. “Nós somos próximos de macacos, mas não somos macacos. Há uma série de doenças infecciosas em que o sistema imune deles age de uma maneira diferente do nosso”, pondera Finger. A exposição a um vírus no laboratório também não é a mesma coisa do contato natural, no dia a dia.

Se, por um lado, não dá pra levar as conclusões do trabalho a ferro e fogo, por outro ele aponta para uma luz no fim do túnel. “O experimento sinaliza que uma futura vacina poderá ser efetiva quando estiver disponível”, analisa Brandão.

O que se tira de lição dessa história?
Em primeiro lugar, vale reforçar que cientistas, médicos e autoridades em saúde pública estão aprendendo em tempo real a combater o coronavírus e seus estragos. Portanto, é natural que as recomendações se modifiquem conforme o conhecimento avança e novas peças desse intrincado quebra-cabeça são descobertas.

Caso o risco de reinfecção em larga escala seja verdadeiro e isso fique comprovado por estudos maiores e mais criteriosos (o que não aconteceu até agora), as políticas públicas colocadas em prática atualmente passarão por mudanças. “Esse cenário demandaria um número ainda maior de recursos diagnósticos e exigiria mais do sistema de saúde”, especula Brandão.

Por ora, as evidências indicam que a Covid-19 é mesmo uma doença que só se pega uma vez. O corpo parece que desenvolve, sim, uma memória imunológica para debelá-la caso o coronavírus tente uma segunda invasão. Em meio a um cenário tão desolador, eis ao menos uma boa notícia.

Fonte: Saúde

Foto de capa: Freepik