O que é carga viral e qual sua importância na gravidade da Covid-19

Sintomas e complicações da Covid-19 seriam menos frequentes em quem possui poucas cópias do coronavírus no organismo. E as máscaras ajudariam aí

A quantidade de Sars-CoV-2 circulando pelo corpo talvez influencia na severidade da Covid-19. Ilustração: Marcos de Lima/SAÚDE é Vital

As máscaras ganharam destaque na pandemia como uma das principais formas de prevenção da Covid-19. Mas é possível que, mesmo quando não barrem por completo a entrada do coronavírus (Sars-CoV-2) no organismo, elas contribuam para que a doença cause sintomas mais brandos, como sugerem pesquisadores americanos em um artigo publicado no periódico Journal of General Internal Medicine. E isso teria tudo a ver com a chamada carga viral.

O que é isso? Segundo a infectologista Nancy Bellei, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a carga viral é a quantidade de cópias de um vírus encontradas em determinado fluido ou secreção.

“Quando alguém é infectado, o vírus se replica no seu organismo. Dependendo da enfermidade, é possível detectá-lo pelo sangue ou eventualmente em outros fluidos”, relata Nancy, que também é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para isso, são necessários exames específicos que procuram o material genético do invasor em amostras sanguíneas ou de secreção nasal, por exemplo.

No caso do HIV e da hepatite C, a quantificação da carga viral chega a influir na escolha do tratamento — concentrações mais altas desses patógenos exigem tratamentos mais potentes. Mas e o coronavírus com isso?

A importância da carga viral na Covid-19 — e o que as máscaras têm a ver com isso
No artigo citado anteriormente, cientistas da Universidade da Califórnia e da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirmam que as máscaras teriam uma função dupla na contenção do coronavírus.

A primeira — e mais reconhecida pela ciência — é a de que evitam a transmissão do Sars-CoV-2 por gotículas respiratórias. Uma revisão de estudos mostrou que a possibilidade de contaminação, ao vesti-las, é de apenas 3,1%.

Já a segunda — que, por enquanto, é somente uma teoria — está relacionada à disseminação de uma carga viral menor. Veja: mesmo sendo eficazes, as máscaras não barram totalmente a passagem do vírus. Ou seja, algumas poucas cópias do Sars-CoV-2 podem passar pelas camadas de tecido e infectar alguém, embora isso seja menos comum. Mas, mesmo nessa situação, a quantidade de coronavírus a entrar no seu corpo seria menor do que na ausência de uma máscara.

Conclusão: com uma menor carga viral, o organismo conseguiria combater a Covid-19 com mais eficiência e rapidez, o que se traduziria em menos sintomas e complicações.

Pesquisas com outros males respiratórios dão embasamento à hipótese de que, quanto maior a carga viral, maior o estrago provocado pela enfermidade. Uma delas contou com a expertise de Nancy e foi realizada de 2009 a 2013 no hospital da Unifesp.

A ideia era avaliar o vírus sincicial respiratório (VSR), invasor por trás de muitos casos de bronquiolite nos bebês, em amostras de swab nasal — o mesmo teste utilizado para diagnóstico do novo coronavírus. Foi colhido material de 196 crianças sintomáticas, 192 cuidadores assintomáticos, 165 profissionais de saúde (70 sintomáticos e 95 assintomáticos) e 143 portadores do HIV (43 sintomáticos e 100 assintomáticos). Conclusão: quanto maior a carga viral, maior o risco de a pessoa desenvolver sinais da doença.

Outro exemplo, dessa vez envolvendo o próprio Sars-CoV-2, é citado naquele artigo americano. Trata-se um surto de Covid-19 em março de 2020 ocorrido em um cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, para uma viagem de 21 dias pela Península Antártica.

Após detectarem um caso de coronavírus a bordo, os responsáveis distribuíram máscaras para a tripulação e os passageiros. Até o fim do cruzeiro, 128 dos 217 indivíduos no navio foram diagnosticados com a doença. Só que, entre eles, 81% não apresentaram sintomas — uma taxa muito mais positiva do que a esperada. Para ter ideia, no já conhecido episódio do cruzeiro “Diamond Princess”, que atracou no Japão, só 18% das pessoas infectadas não manifestaram sinais da enfermidade. E, nesse caso, não houve orientação para uso de máscaras desde o princípio. A carga viral seria uma explicação para essa discrepância tão grande.

Por outro lado, cabe destacar que não temos estudos controlados conduzidos em seres humanos para confirmar essa hipótese — os próprios americanos pontuam tal limitação no artigo.

Nancy participou de um estudo, ainda em fase de aprovação para publicação, que reuniu 875 pacientes no hospital da Unifesp. O resultado aponta que pessoas que morreram devido à Covid-19 possuíam maior carga viral.

Entretanto, não houve controle de certos fatores que influenciam os achados. Nancy e sua turma não sabem, por exemplo, se outras doenças ou a aplicação de medicamentos interferiram nos óbitos.

“Por enquanto, só há uma suspeita de que a carga viral esteja relacionada a uma maior letalidade”, conclui a expert. De qualquer forma, como as máscaras já são recomendadas para a população geral, fica o reforço de que, com elas, talvez a Covid-19 se torne menos letal.

 

Fonte: Veja / SAÚDE é Vital

Microesferas contra o Alzheimer

Farmacêutica brasileira aposta em tecnologia pouco empregada no país que permite melhorar eficácia e adesão ao tratamento

 

Ilustração: Otávio Silveira/SAÚDE é Vital

 

Talvez você nunca tenha ouvido falar em pellets, mas eles já apareceram em sua vida quando tomou um remédio para gastrite, por exemplo. Falamos de microesferas que, inseridas dentro de uma cápsula,dispersam o princípio ativo dentro do corpo. E a ideia do laboratório paranaense Prati-Donaduzzi foi investir nessa tecnologia para contra-atacar o Alzheimer e outras doenças, como depressão.

A empresa tem uma linha de produção e desenvolvimento direcionada aos pellets — hoje, a maioria do material é importada. “Pegamos essas bolinhas feitas com componentes inertes e aplicamos como se fossem camadas de pintura com os princípios ativos e outras moléculas para protegê-los da passagem pelo estômago”, ilustra Liberato Brum Júnior, gerente de inovação e pesquisa clínica da farmacêutica.

Uma das vantagens já é vista na medicação contra o Alzheimer: graças aos pellets, o princípio ativo tem uma liberação imediata e outra mais prolongada. “Com isso, o paciente pode tomar apenas uma cápsula por dia e tende a ficar com um quadro mais estável”, conta Brum Júnior.

Problemas na mira

Cápsulas ou comprimidos com as microesferas poderão ser usados contra outras doenças

  • Depressão
  • Hipertensão
  • Hiperplasia benigna da próstata (inchaço da glândula)
    Gastrite
  • Outras doenças do sistema nervoso central

 

Ilustração: Laura Luduvig/SAÚDE é Vital

 

 

 

Fonte: Veja / SAÚDE é Vital

ANS obriga planos de saúde a incluírem teste sorológico da covid-19

© Roque de Sá/Agência Senado

 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu incorporar ao rol de procedimentos e eventos em saúde o teste sorológico para detectar a presença de anticorpos produzidos pelo organismo após exposição ao novo coronavírus (covid-19). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13), pela diretoria colegiada da agência.

A resolução normativa passará a valer após publicação no Diário Oficial da União. O procedimento incorporado é a pesquisa de anticorpos IgG ou anticorpos totais, que passa a ser de cobertura obrigatória para os beneficiários de planos de saúde a partir do oitavo dia do início dos sintomas, nas segmentações ambulatorial, hospitalar e referência, conforme solicitação do médico.

Porém, para se justificar o pedido, é necessário preencher alguns critérios obrigatórios, ao mesmo tempo em que não poderá se encaixar em outros critérios excludentes.

Segundo a ANS, poderão realizar o teste sorológico pacientes com Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) a partir do oitavo dia do início dos sintomas, além de crianças ou adolescentes com quadro suspeito de Síndrome Multissistêmica Inflamatória pós-infecção pelo coronavírus.

Por outro lado, estarão excluídos da realização obrigatória do exame pacientes que já tenham RT-PCR prévio positivo para coronavírus; pacientes que já tenham realizado o teste sorológico, com resultado positivo; pacientes que tenham realizado o teste sorológico, com resultado negativo, há menos de 1 semana, exceto para crianças e adolescentes com quadro suspeito.

Também estarão excluídos a realização de testes rápidos; pacientes cuja prescrição tem finalidade de rastreamento, retorno ao trabalho, pré-operatório, controle de cura ou contato próximo/domiciliar com caso confirmado, e verificação de imunidade pós-vacinal.

Segundo a ANS, as definições para Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave são as seguintes:

Síndrome Gripal (SG): Indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos. Em crianças: além dos itens anteriores considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. Em idosos: deve-se considerar também critérios específicos de agravamento como sincope, confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Indivíduo com SG que apresente: dispneia/desconforto respiratório OU pressão persistente no tórax OU saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente OU coloração azulada dos lábios ou rosto. Em crianças: além dos itens anteriores, observar os batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência.

Dúvidas podem ser esclarecidas na página da ANS na internet ou pelo telefone 0800 701 9656.

 

Fonte: Agência Brasil

Universidade de Brasília e HUB iniciam teste de vacina contra covid-19

Apenas profissionais de saúde podem participar do estudo

© Robson Valverde / SES-SC

 

Começa a ser testada hoje (5) pela Universidade de Brasília (UnB) e pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) a vacina contra o novo coronavírus (covid-19), desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech.

Os primeiros que vão participar do estudo-teste são cinco profissionais da saúde que atuam no atendimento de infectados, mas não tiveram ainda a doença.

A vacina que eles receberão é inativada e será aplicada em duas doses, com intervalo de 14 dias. De acordo com a UnB e o HUB, os resultados apresentados na fase 2 de desenvolvimento “foram considerados promissores e demonstraram a produção de anticorpos neutralizantes em 90% dos participantes que receberam a imunização”.

O HUB é um dos 12 centros no Brasil que participam da fase 3 do ensaio clínico nacional, coordenado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Infraestrutura de acolhimento

A equipe multiprofissional que desenvolve a pesquisa é integrada por 25 pessoas e acompanhará 850 voluntários. Para isso, o HUB preparou uma infraestrutura de acolhimento para que o projeto seja desenvolvido “seguindo rigorosamente as normas nacionais e internacionais de boas práticas em pesquisa clínica”.

Segundo a UnB, apenas profissionais de saúde podem se candidatar a participar do estudo. No entanto, ressalta que, para isso, é necessário que os candidatos cumpram alguns critérios.

Entre eles, o de trabalhar em serviço de saúde atendendo pessoas com covid-19; ser maior de 18 anos; não ter sofrido infecção assintomática ou a doença causada pelo novo coronavírus; apresentar condição de saúde normal; e ter disponibilidade para realizar o acompanhamento periódico por um ano após a vacinação.

“Os profissionais de saúde interessados em participar da pesquisa poderão ter informações sobre os critérios de inclusão e a forma de registrar o interesse em participar por meio de uma página na internet, cujo endereço será disponibilizado nos próximos dias. O HUB não faz cadastro de candidatos”, informou, por meio de nota, a Universidade de Brasília.

Fonte: Agência Brasil 

 

OMS diz que pandemia de covid-19 é “uma grande onda”, não é sazonal

Organização desaconselha grandes aglomerações

 

Uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu a pandemia de covid-19 nesta terça-feira (28/07) como “uma grande onda” e pediu cautela durante o verão do Hemisfério Norte, já que a infecção não compartilha a tendência do vírus da gripe de acompanhar as estações.

As autoridades da OMS têm se esforçado para evitar descrever um ressurgimento de casos de covid-19 como os de Hong Kong como “ondas”, já que isso sugere que o vírus está se comportando de maneiras fora do controle humano, quando na verdade uma ação organizada pode refrear sua disseminação.

Margaret Harris repetiu esta mensagem durante uma coletiva de imprensa virtual em Genebra. “Estamos na primeira onda. Será uma grande onda. Ela subirá e descerá um pouco. A melhor coisa é achatá-la e transformá-la em algo que passa junto aos pés”, disse.

Apontando para os números altos de casos no auge do verão dos Estados Unidos, ela pediu vigilância na aplicação de medidas e desaconselhou grandes aglomerações.

“As pessoas ainda estão pensando sobre estações do ano. O que todos precisamos ter na cabeça é que esse é um novo vírus que está se comportando de forma diferente”, disse.

Mas ela também expressou o temor de casos de covid-19 coincidirem com casos de gripe sazonal normal durante o inverno do Hemisfério Sul e disse que a OMS está monitorando isso atentamente.

Por enquanto, disse, amostras de laboratório não estão mostrando muitos casos de gripe, o que indica um início de estação tardio.

“Se você tem um aumento de uma doença respiratória quando já tem um fardo muito grande de doenças respiratórias, isso coloca ainda mais pressão no sistema de saúde”, disse, pedindo para que as pessoas a se vacinarem contra a gripe.

 

 

Fonte: Agência Brasil

Foto: Freepik